Oração e missões - Parte 1 - Princípios da
Intercessão
Crendo que qualquer atividade no
Reino de Deus deve ser precedida pela oração, abordaremos com
fundamentação bíblica, a missão de interceder como tarefa decisiva para o
bom êxito da obra missionária. Iniciaremos, portanto, chamando a atenção
do intercessor para alguns princípios que são fundamentais para uma oração
eficaz.
I - Princípios da intercessão
1.
Coração ardente - É necessário lembrar que missões começa com o
coração e a intercessão deve ser antes de tudo uma expressão de um coração
ardente de paixão por Deus e pelo cumprimento do desejo do seu coração - a
salvação do homem perdido.
Entendemos portanto, que a oração não é
o cumprimento de um dever eclesiástico nem tão pouco uma função puramente
racional. Intercedendo pelo povo de Israel, o apóstolo Paulo expressa:
"Irmãos a boa vontade do meu coração e a minha suplica a Deus a favor
deles são para que sejam salvos." (Rm. 10:1) Quando o Senhor Jesus viu as
multidões aflitas e exaustas, compadeceu-se delas e fez um apelo aos
discípulos: Rogai ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.
(Mt. 9:36,38)
O coração do intercessor deve arder com a compaixão
divina, que se compadece da miséria humana e comove-se por aqueles que
ainda não experimentaram a graça salvadora. Na antiga aliança, o sacerdote
mantinha o fogo do altar de incenso aceso, queimando diante de Deus. Isto
ilustra o ardor e paixão com que devemos orar. George W. Peters
pronunciou: "Deus, a igreja e o mundo estão procurando homens com o
coração em chamas - coração cheio do amor de Deus, cheio de compaixão
pelos males da igreja e do mundo (...) cheio de paixão pela salvação do
perdido.
2. Sensibilidade espiritual. Orar é entrar
na presença de Deus e ser ministrado pelo seu Espírito Santo que intercede
por nós e em nós. A Palavra diz que não sabemos orar como convém, mas o
Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. (Rm.8:26)
É necessário ser sensível a direção que o Espírito dá a oração,
para que alcancemos o desejo do coração de Deus e expressemos a sua
vontade, pois a garantia de sermos ouvidos, é quando pedimos segundo a sua
vontade. "(...) se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos
ouve." (I.Jo.5:18)
A sensibilidade precisa ser desenvolvida na
nossa relação com o Espírito Santo que dá forma &agrava;s nossas
orações. Também, o mesmo Espírito nos torna sensíveis &agrava;s
necessidades do outro. A lei áurea da intercessão é a identificação, se
não sentimos a dor e a tristeza do outro como expressar a misericórdia de
Deus em oração? Paulo quando intercedia por Onésimo disse a Filemom:
(...)recebe-o, como se fosse a mim mesmo." (Fm. 17) Interceder é se
colocar no lugar do outro para ser parceiro na conquista da sua vitória.
3. Fé operosa - Para vermos os efeitos da eficácia
da oração é necessário por a fé em ação. Ter ousada confiança para ver as
respostas de Deus &agrava;s nossas orações. A fé reivindica as
promessas divinas e certifica-se da resposta. "Tudo que pedirdes em oração
crendo recebereis." (Mt. 21:22) A fé precisa ser ousada para ser
desenvolvida a favor do outro. É a disposição de crer, não pelo outro, mas
para que o outro creia.
Para a evangelização do perdido é
necessário o exercício da fé ousada em oração, para quebrar a resistência
&agrava;s mudanças de crenças e valores, destruir as fortalezas da
tradição e levar os pensamentos calcados numa cosmovisão as vezes
fatalista, materialista, supersticiosa &agrava; obedecer a Verdade
única do Evangelho.
Não há impossível dentro dos propósitos
divinos. A intercessão missionária nos certifica o propósito do Senhor em
salvar o perdido, isto fortalece a nossa fé para crer que seremos ouvidos.
"Nada está fora do alcance da oração, a não ser aquilo que está fora da
vontade de Deus." J. Blanchard
4. Persistência - É necessário
exercer um clamor persistente. Orar até alcançar o alvo. Perseverar em
oração é saber aguardar o tempo de Deus. Moisés persistiu diante de Deus
quarenta dias e quarenta noites, pedindo para que Deus não destruísse o
seu povo. " Orei ao Senhor, dizendo: ó Senhor Deus! Não destruas o teu
povo e a tua herança" (Dt.9:26). E o Senhor o atendeu.
O
intercessor é comparado a um vigia ou sentinela que se põe diante de Deus
e procura ver onde ele está sinalizando a sua operação para intensificar a
oração. "Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e
toda a noite jamais se calarão; vós os que fazeis lembrado o Senhor, não
descanseis, nem deis a Ele descanso até que restabeleça Jerusalém(...)
(Is. 62:6-7). Perseveremos em oração, até que o Senhor de toda a terra
alcance os povos e as nações pela sua graça e para a sua glória!
Leia a segunda parte deste artigo>>
Durvalina Barreto Bezerra é teóloga pelo
Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro. Missióloga pelo Centro
de Treinamento da WEC-AMEM, na Austrália. Pedagoga formada pela
Universidade Federal da Bahia. Mestre em Educação pela Universidade
Mackenzie. Vice-presidente da AME - Associação Missão Esperança,
integrante da diretoria da Missão Antioquia. Diretora do Seminário Betel
Brasileiro em São Paulo e Coordenadora Geral do Ensino do Instituto
Bíblico Betel Brasileiro. Professora nos Centros de Preparo Missionário da
Missão Juvep - Juventude Evangélica Paraibana, Missão Priscila e Áquila e
Jami - Junta Administrativa de Missões. Conferencista
internacional.
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